sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Apenas permita-se


Decepção, medo, angústia, mágoa, ressentimento, tristeza!

Quantos sentimentos surgem no momento da se
paração. A dor de uma relação que se acaba só pode ser avaliada por quem a vive e, principalmente, por quem, apesar de separado, ainda sente amor. Por mais que possamos imaginar como será, não conseguimos avaliar a profundidade do sofrimento quando acontece.

Durante nossa vida, tendemos a desistir muitas vezes de continuar. Isso geralmente acontece quando esperamos atitudes e comportamentos que não acontecem; esperamos uma palavra e encontramos apenas o silêncio; esperamos o abraço e recebemos o desprezo; esperamos a presença e encontramos apenas a distância.

Nos sentimos machucados, feridos, decepcionados e dilacerados em nosso simbólico coração, onde guardamos nossos sentimentos mais caros.
Quando permitimos que alguém faça parte de nossa vi
da é porque acreditamos que cuidará de nosso amor como se fosse dele próprio, que buscará realizar todos seus sonhos sim, mas agora a dois.

Mas em algum momento parece que tudo se perde, e o diálogo vai ficando cada vez mais difícil, o aborrecimento e a tristeza começam a sobrepor-se à paz e a vontade de estar junto e, a distância se instala.
E neste turbilhão de sentimentos, nessa mistura de alívio e sofrimento, angústia e dor, da presença constante à distância presente; abafamos nossos sentimentos, adormecemos nossos sonhos, calamos nossas vozes, sufocamos nossas emoções, como se fossemos capazes de evitar sentir a dor do presente e a saudade do passado, dos momentos vividos juntos e congelados em nossa memória, de tudo aquilo que vivemos e principalmente, do virmos a viver.E quando a noite chega, sem TV, rádio, jornal, e-mails, celular, trabalho, pessoas ou o que quer que possa fazer com que não pense ou contribua para fugir do que sente e você se recolhe em seu silêncio, talvez os pensamentos invadam sua mente e o farão lembrar e refletir o que aconteceu. Em seu íntimo, sentirá a solidão e o vazio do que não mais existe, existirá o "eu" e não mais o "nós", quem sabe neste momento poderá de novo valorizar e desejar o "juntos" ao "sozinho", o "falar" ao "calar", "partilhar" ao "dividir", a "paz" a "briga", "espiritualidade" ao "poder e dinheiro", "humildade" ao "orgulho", o "diálogo" ao "silêncio", a "proximidade" a "distância".

Quem sabe depois de se encontrar e rever todos esses valores, você poderá permitir-se amar e ser amado e, juntos voltar a sonhar!

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